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Comboio contra Mina de Urânio em marcha este fim de semana na Linha do Douro

elpais.com

A Marcha Ibérica em Comboio contra a Mina de Urânio projetada para a zona de Retortillo, Salamanca faz-se este fim-de-semana, 5 e 6 de maio, sobre os carris da linha que percorre o Vale do Douro, desde o Pocinho até ao Porto, com paragem no Peso da Régua.

O protesto é uma organização conjuntamente da Plataforma Stop Uranio de Salamanca e as associações portuguesas QUERCUS e AZU.

As três Associações defendem que é necessário que o processo da mina de urânio de Retortillo seja suspenso de imediato e se realize uma avaliação de impacte ambiental transfronteiriça, conforme a legislação em vigor. Defendem também que no final do processo, e de modo a defender a saúde e o bem-estar dos cidadãos de Portugal e de Espanha, assim como os importantes valores naturais em presença, o Governo Espanhol não autorize a exploração de urânio em Retortillo.

esquerda.net

Uma manifestação com o mesmo intuito ocorreu em fevereiro, em Salamanca.

Vinte anos passados sobre o desastre de Aznalcóllar, as associações consideram “importante recordar que o desenvolvimento de projetos de mineração de urânio a céu aberto do outro lado da fronteira pode representar um tremendo risco para a vida do rio Douro e dos seus habitantes”. Citam o estudo encomendado pela WWF a dois cientistas da Universidade de Castilla La Mancha que aponta que “apenas com o funcionamento normal das instalações projetadas para Retortillo, Salamanca (mina de urânio e fábrica de concentrados), o rio Yeltes, afluente do rio Douro, ficará extremamente contaminado”.

Com o avanço deste projeto, Portugal irá ser afetado com a poeira radioativa e o gás radão que serão emitidos pelas minas de urânio. Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente, o projeto de exploração mineira de urânio em Retortillo é “suscetível de ter efeitos ambientais significativos em Portugal”, pela proximidade com a fronteira, e tendo em “atenção a direção dos ventos” de Este e Nordeste. E se esse perigo é potencial no caso de Retortillo, para a mina projetada para Alameda de Gardón, município limítrofe com Portugal, a perturbação do território português é mais do que evidente.

Divulgação

A Quercus, em comunicado, lembra que mais uma vez, e apesar de ser óbvio que Portugal sofrerá as consequências de uma potencial exploração mineira de urânio em Salamanca, as administrações espanholas não consultaram o país vizinho, nem submeteram a consulta pública transfronteiriça os distintos projetos de mineração de urânio em Salamanca, “ignorando assim os tratados assinados entre os dois países”. Já no passado dia 16 de março, teve lugar um debate na Assembleia da República Portuguesa sobre a mina de Retortillo, em que todos os grupos parlamentares foram unânimes ao exigir firmeza por parte do Governo português, na defesa do território e das suas populações, face à ameaça que pende sobre Portugal, e em especial sobre toda a zona do Douro.

Divulgação

A comitiva da Stop Uranio, formada por cerca de 60 pessoas, partiu de Salamanca em autocarro, passando pela Fuente de San Esteban, onde se juntaram os populares na marcha. Hoje de manhã, às 11h00, no Pocinho, apanharam o comboio com as comitivas portuguesas dando início à marcha conjunta. Ao longo desta iniciativa, as três associações divulgarão os perigos que ameaçam Portugal, no caso de se confirmar a abertura das instalações radioativas em Salamanca, e serão distribuídos folhetos informativos em todas as estações de comboio desta linha. Às 18h00 haverá um debate sobre os impactes ambientais, sociais e económicos do projeto da Mina de Urânio em Retortillo – Seminário de Vilar – Porto. Amanhã, 6 de maio, o comboio irá apitar para a partida às 15h10 na Estação Ferroviária de São Bento com chegada prevista à Estação Ferroviária do Pocinho para as 18h46.