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Carnaval em Bragança está de volta a 10 de fevereiro

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Dia 10 de fevereiro é a data marcada para a celebração do “Carnaval dos Caretos”, em Bragança.

Esta festa conta com a participação de grupos de “Caretos” de Portugal e Espanha e ainda das escolas e instituições do concelho.

A concentração será na Praça Cavaleiro de Ferreira, às 16h00, onde se segue o desfile pelas ruas da zona histórica. O final do desfile acaba no mesmo local com a “Queima do Diabo”.

Dois dias depois, a 12 de fevereiro, haverá ainda o “Carnaval Jovem” no Pavilhão do Clube Académico de Bragança, pelas 22 horas.

 

 

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Os caretos – figura central do Entrudo Bragantino

 

Os Caretos são personagens mascarados que estão associados ao Carnaval do nordeste transmontano, em várias aldeias dos concelhos de Bragança, Macedo de Cavaleiros, Vinhais, Vimioso e Lamego.A designação “Caretos” resulta da palavra “careta” ou “máscara”.

Segundo a tradição, estes mascarados são rapazes solteiros que usam máscaras, com um nariz saliente, que pode ser feita de couro, latão ou madeira, e pintada de vermelho, amarelo, preto ou apenas com a cor original da madeira. Esta é ainda adornada por chifres ou outros adereços.

Quem põe a máscara transfigura-se e, mesmo os que são tímidos e reservados, deixam transparecer o lado mais “selvagem”, pulando e correndo atrás das raparigas.

Para além da máscara, há ainda o traje colorido feito de colchas com franjas compridas de lã ou outro tecido. A esta indumentária acrescem ainda os “chocalhos”, que são pequenos sinos localizados na cintura. Paus longos ou cajados feitos de madeira são outro dos acessórios.

Alguns fatos são confecionados na própria aldeia e guardados de geração em geração, constituindo uma verdadeira relíquia para a família que os possui. Um fato de “careto” pode custar mais de 400 euros – com as franjas de lã tradicionais substituídas por lã de fibra, sem contar com a dificuldade em encontrar e comprar uma colcha antiga.

 

 

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Os Caretos realizam todo o tipo de travessuras, ao mesmo tempo que dançam ao som de música tipicamente transmontana proveniente da combinação da gaita de foles, bombo e caixa.

Para além dos saltos, gargalhadas, gritos (numa linguagem que ninguém entende) e o “achocalhar” raparigas solteiras também invadem as casas em busca de fumeiro, que lhes é entregue pelos habitantes.

No fundo, os rapazes juntam-se para “atormentar” quem encontram: aos homens dão com o rabo que lhes cai do capuz e às mulheres chocalham-na, seja ela quem for. Só as grávidas ou as que têm crianças de colo escapam.

Dado fazerem parte de uma enraizada tradição milenar, tudo é permitido aos Caretos e, como se costuma dizer no Carnaval, “ninguém pode levar a mal”.

 

 

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Para os antropólogos, os Caretos são vistos como um rito de iniciação dos jovens, que passam de adolescentes a adultos, e como um símbolo do lado mais “negro” do ser humano, o do outro mundo, do sobrenatural e do louvor aos mortos. Estes transpõem o lado obscuro do ser humano para a realidade, com uma representação simbólica, levando à libertação do lado mais trapaceiro e diabólico da alma humana com a finalidade de purificar a comunidade para o novo ano.

No conceito popular, apenas o Careto possui o “poder” de purificar e tonar a terra fecunda, no momento da viragem do ciclo agrário - a passagem do Inverno para a Primavera.

Apesar de os Caretos, hoje em dia, provocarem mais risos do que medo, àqueles que os rodeiam, houve já uma altura em que estes eram mais mal comportados e assustadores. As mulheres, para se protegerem, tinham de se refugiar no adro da igreja onde os caretos não entram.

Agora as coisas são diferentes e não são apenas os rapazes que vestem o traje e se transfiguram, mas também homens mais velhos e mesmo as crianças, os “Facanicos”.

 

 

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Nos anos 60 e 70 esta tradição esteve em perigo de extinção, mas acabou por sobreviver, com ajuda dos mais novos, para se tornar Património Nacional Imaterial desde 2017. Atualmente está na fase final da sua candidatura a Património Imaterial da Humanidade.

 

História do Carnaval

 

Tal como outras festividades, o Carnaval poderá ser oriundo de celebrações da Antiguidade, estando ligado a comemorações de final de Inverno e início da Pimavera.

Uma das suas prováveis origens remete paras as Saturnais, celebrações realizadas em Roma, em louvor a Saturno, que marcava o final do ano dos Romanos e o princípio de um novo ano agrícola. Nesta altura eram celebradas festas onde existia convívio entre escravos e “senhores”, sendo abolidas as desigualdades e suspenso o tempo de guerra, tal como o funcionamento dos tribunais.

Outras das hipóteses está ligada ao Antigo Egipto, onde eram comemoradas festividades em nome da Deusa Ísis. Esta era considerada a Deusa que detinha o segredo da fecundidade, da vida, da morte e da ressurreição. Assim, as cerimónias tinham como objetivo tornar as terras puras e fecundas.

Uma outra versão sobre a sua origem, remete para a antiga Roma, mais precisamente, as Lupercais. As Lupercais eram realizadas com o propósito de obter a simpatia dos lobos, e efetuavam-se com o sacrifício de cabras e bodes brancos. A carne dos animais sacrificados era oferecida, simbolicamente, à loba que amamentou Rómulo e Remo (fundadores de Roma), e aos lobos, para assegurar que estes não atacassem aos rebanhos.

Na era do Cristianismo, a explicação para o termo “Carnaval” remete para a palavra carnisvalerium (carnis de carne, valerium, de adeus), que significa o “adeus à carne” ou à “suspensão do seu consumo”, em função da Quaresma, em que o consumo de carne é proibido na alimentação cristã.

A designação “Entrudo”, frequentemente utilizada nos meios rurais, apresenta o mesmo significado: de introduzir, dar entrada, começo ou anunciar a aproximação da quadra quaresmal.

As primeiras referências feitas ao Entrudo, em Portugal, são feitas no reinado de D. Afonso III, embora não propriamente relacionado com as festividades carnavalescas e na época de D. Sebastião, onde são mencionadas brincadeiras como o “lançamento de farelos”.

 

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