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07.05.18

Dois anos de Túnel do Marão. Bem-vindos... Mas, “Para cá do Marão ainda mandam os que cá estão”


helena margarida

José Coelho - Agência Lusa

Há dois anos fez-se história e, os que cá estão, e os que sempre vinham, esperaram 7 anos por uma luz ao fudo do túnel. Desse que é o "maior da Península Ibérica" e que liga Trás-os-Montes ao Litoral.

Uma obra única de engenharia, emblemática, comparada apenas "à Ponte 25 de Abril", considerou António Costa, o primeiro ministro que inaugurou no dia 7 de maio de 2016, aquele que rasgou as entranhas da Serra do Marão.

Atravessar o Marão tornou-se mais seguro, mais cómodo e mais rápido. O grande Túnel vai contribuir para "combater a desertificação e o isolamento do país" e deseja-se que seja caminho para um efetivo desenvolvimento económico, que "melhor o PIB da região", frisou Costa naquele dia.

De acordo com dados fornecidos à agência Lusa pela Infraestruturas de Portugal (IP), em dois anos de funcionamento, o Túnel do Marão contabiliza cerca de 15,8 milhões de euros de receita em portagens. Em 2016, nos cerca de oito meses que decorreram desde a sua abertura ao tráfego, o valor da receita foi de 4,9 milhões de euros e, em 2017, o valor global foi de 8,7 milhões de euros. No primeiro trimestre de 2018, a receita foi de 2,2 milhões de euros, um valor que representa um crescimento de cerca de 20% face ao verificado no período homólogo do ano passado.

A Autoestrada do Marão passou a receber o tráfego do Itinerário Principal 4 (IP4) e captou também trânsito de outras vias, como das autoestradas A24 ou A7, mostrando que o Túnel não é uma alternativa ao IP4 mas sim o percurso preferencial dos automobilistas.

Já viu nascer um bebé no dia 1 de outubro de 2016 quando, um casal de Baião a caminho do Hospital de Vila Real, se viu forçado a parar na berma da A4 à entrada do Túnel, devido às fortes dores da mulher. Perante a surpresa da equipa de assistência do Túnel acabaria a mulher acabaria por dar à luz com os trabalhadores a ajudarem no parto.

O incêndio num autocarro, dentro do Túnel do Marão, em junho de 2017 lançou um alerta sobre questões de segurança e socorro dentro deste que é o maior túnel rodoviário da Península Ibérica, com 5.665 metros e está incluído no Autoestrada 4 (A4) que liga Amarante a Vila Real. Um inquérito à avaliação da resposta operacional apontou lacunas na resposta ao incêndio. O documento revelou um hiato temporal de 36 minutos entre o alerta inicial e o início do combate e aconselhou uma revisão dos procedimentos para agilizar a chegada dos meios.

O relatório apontava baterias à inexistência do centro de controlo junto à saída de Amarante. Um equipamento que foi transferido seis meses depois da inauguração do túnel para o centro de controlo da IP, em Almada.

Perante este cenário foi necessário “desenhar” novos planos de atuação no túnel. Planos esses que foram apresentados no dia 26 de abril. Para além do anúncio de equipas de bombeiros em permanência no Túnel do Marão, para prevenção, primeira intervenção e socorro a infraestrutura terá ainda uma sala de emergência.

As corporações de Bombeiros de Amarante e Cruz Branca de Vila Real ainda não têm operacionais no terreno, conforme o anunciado pelo Secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme d’Oliveira Martins, aquando da assinatura do protocolo. Mantém-se perspetivada a realização de um simulacro, não se sabendo, no entanto, quando irá acontecer.

“Os simulacros far-se-ão em maio e far-se-ão as vezes que forem necessárias. O que queremos é garantir que o túnel cumpre as melhores regras de segurança a nível transeuropeu”, frisou o secretário de Estado. Este simulacro já era reivindicado pelos bombeiros que atuam na infraestrutura, antes mesmo da abertura ao tráfego do Túnel do Marão, a 08 de maio de 2016.

Do sonho à concretização do Túnel do Marão, houve um longo caminho cheio de obstáculos e atropelos. O percurso foi feito de avanços, recuos e paragens. Mas a verdade é que…

Vê-se primeiro um mar de pedras. (...)

A terra é a própria generosidade ao natural. Como num paraíso, basta estender a mão. (...). Entre quem é!

                                                              Miguel Torga in “Um Reino Maravilhoso”