Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Informadouro

Somos mundo!

O nosso dever? Informar!

22.03.18

Lisboa: 64% dos estudantes queixam-se de residências e casas arrendadas


Bruno Fernandes

jordan-encarnacao-588600-unsplash.jpg

 

Um fogão por 50 alunos ou o acesso à cozinha em casa particulares exige uma taxa extra...

Estes são apenas alguns exemplos de relatos de estudantes do ensino superior incluídos num estudo da Federação Académica de Lisboa (FAL), citado pela Agência Lusa, com o título "Alojamentos de Estudantes Deslocados - Residências e Arrendamentos". 

O estudo baseia-se em respostas de 400 estudantes em Lisboa e que estão longe de casa, sendo que a maioria dos inquiridos está a estudar a mais de 250 quilómetros de casa.

Estudantes queixam-se de condições inadequadas e metade paga mais de 150€/mês

Há residências universitárias públicas que têm um fogão para 50 estudantes. Há alunos que vivem em residências e que se queixam de infiltrações, outros que não têm acesso à internet ou que não têm sala de estudo.

- João Rodrigues, presidente da FAL

 Segundo o estudo, que será publicado durante este mês no "Livro Negro do Ensino Superior", os estudantes queixam-se de diversas situações como o facto de haverem residências universitárias onde um fogão tem de ser dividido por 50 alunos ou de casas arrendadas onde os alunos só podem usar a cozinha mediante o pagamento de uma taxa extra. 

A maioria dos estudantes refere que as residências têm espaços de refeitório ou cozinha mas 40% considera que estes espaços não são adequados. A utilização de equipamentos básicos como o frigorífico também é posta em causa com 45% dos inquiridos a afirmar que o eletrodoméstico "não tem a dimensão adequada ao número de pessoas" que o utilizam e, com isso cria "dificuldades de gestão dos alimentos e uma alimentação menos cuidada". 

Quase metade dos estudantes nas residências pagam mais de 150€ mensais, sendo que 30% são beneficiários de complemento de alojamento. 

Fora das residências, o cenário é pior

Para quem não conseguiu lugar nas residências universitárias, o cenário lisboeta é gravoso. João Rodrigues alerta que "há alunos a pagar 430 euros para viver numas águas furtadas". Mais de 90% dos estudantes que vivem em casas arrendadas pagam mais de 150€ mensais. Só 3% recebem complemento de alojamento. 

O acesso à cozinha em casas particulares também implica um pagamento extra e quase 20% dos estudantes acham esse valor "caro". As rendas elevadas fazem com que se partilhe a casa e a sala ou o espaço de convívio se transforme em mais um quarto. 

Para completar o cenário, muitos senhorios não querem passar recibo. "Quando as famílias o pedem, as rendas aumentam mais", diz João Rodrigues. 

O presidente da FAL reuniu-se ontem com o Manuel Heitor, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior propondo um pacote de medidas que integrem benefícios fiscais para os senhorios que arrendem a estudantes e reformados e a reabilitação edificado público para aumentar a oferta atual.