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28.08.18

Manipulação de testes de emissões custa 1,6 mil milhões de euros aos condutores portugueses desde 2000


Bruno Fernandes

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1,6 mil milhões de euros.

Este é custo da manipulação dos testes de eficiência decombustível por parte da indústria automóvel para os automobilistas portugueses ao longo dos últimos dezassete anos. O resultado é de um estudo da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (FETA), divulgado esta segunda-feira à noite. 

Segundo o estudo, a manipulação dos testes levou a um consumo extra, a posteriori, por parte dos consumidores. Só nos últimos dezoito anos, o acréscimo no consumo traduziu-se num custo de quase 150 mil milhões de euros a nível europeu. Em 2017, esse valor foi de 23,4 mil milhões de euros, sendo que desses 264 milhões correspondem à fatura paga pelos consumidores portugueses. 

O estudo vai mais longe e refere que o desempenho dos carros nos testes laboratoriais e em condições reais de utilização, que diferia, em 2000 cerca de 9%, aumentou para 42% em 2016. Para além da manipulação dos testes laboratoriais, o surgimento de novas tecnologias (como é o caso do start-stop) também é culpado por esta diferença, visto que obtêm maiores economias em laboratório do que em ambiente real. 

Apesar de estar prevista a implementação de um novo teste de laboratório, segundo a FETA, esse só vai introduzir novas lacunas. "Ao inflacionar os resultados dos testes WLTP em pelo menos 10g/km, a indústria automóvel pode facilmente atingir a redução de 15% nas emissões de CO2 proposta pela CE até 2025, diminuindo o impacto desta meta em mais de metade", refere. 

"Desde 2000, a manipulação dos testes de CO2 implicou a emissão de mais 264 milhões de toneladas de CO2 equivalente, correspondente às emissões anuais de CO2 dos Países Baixos", refere a Quercus em comunicado. A associação, que é membro da FETA, diz concordar com as conclusões do estudo e alerta: "Existem medidas que poderiam previr eficazmente as artimanhas, como a introdução de um teste real ou o uso de dados de medidores de consumo de combustível". A associação acredita que "a proposta da Comissão Europeia para reduzir as emissões de CO2 dos veículos ligeiros de passageiros e comerciais, depois de 2020, é inadequada e se traduz numa nova autorização para que a indústria automóvel mantenha o sistema de jogo".