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12.12.18

Portugal sobe uma posição no ranking climático e passa a desempenho elevado


helena margarida

Divulgação

Portugal subiu, este ano, uma posição e ocupa o 17º lugar, entre os 56 países industrializados abrangidos pelo Climate Change Performance Index (CCPI), passando a pertencer agora ao grupo de países com desempenho "elevado".

Uma posição que na realidade, informa a Quercus em comunicado, “corresponde ao 14º lugar, pois nenhum país está ainda a seguir um caminho compatível com o Acordo de Paris e os três primeiros lugares do pódio permanecem vazios”.

Os aspetos positivos destacados são: a representatividade das energias renováveis, as metas ambiciosas para as renováveis para 2030 e a política climática ligada ao objetivo de se tornar neutro em carbono até 2050 e eliminar o uso de carvão até 2030.

Já o setor dos transportes, em especial os transportes públicos e a mobilidade elétrica, são apontados como os principais aspetos negativos.

Portugal é um dos países que apoia o objetivo da União Europeia de alcançar zero emissões líquidas em 2050 mas, apesar da ambição do Governo manifestada pelo Ministro do Ambiente e da Transição Energética, durante a apresentação do Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, apontando como setores prioritários de ação a produção de eletricidade e da mobilidade, “agora é necessário demonstrar coragem para implementar medidas que cumpram os objetivos definidos e o tempo urge”, lembra a Quercus.

Após um período de estabilidade, as emissões globais de CO2 estão novamente a subir. Os resultados do CCPI indicam que apenas um número reduzido de países começou a implementar estratégias para limitar o aquecimento global abaixo de 2ºC ou até 1,5ºC.

A classificação é novamente liderada pela Suécia, que ocupa o 4º lugar (que corresponde ao 1º lugar dado que os primeiros três lugares se encontram vazios). Segue-se Marrocos, pelo seu significativo aumento no peso das renováveis e pela sua ambição climática. A Alemanha volta a descer na classificação para a 33ª posição por culpa da falta de implementação das políticas nacionais como a eliminação do carvão ou a descarbonização do setor dos transportes. Por outro lado, a regulação das emissões da indústria e edifícios e um regime de apoio às energias renováveis valeram uma subida considerável da China, que se encontra agora no grupo dos países com desempenho "médio".

O grupo de desempenho "muito baixo" é ocupado por quase metade dos países do G20: Japão (49º), Turquia (50º), Rússia (52º), Canadá (54º), Austrália (55º), Coreia (57º) e na cauda da classificação, os Estados Unidos da América (59º) e a Arábia Saudita (60º). No caso dos EUA, a política climática é classificada como muito fraca, mas a ação climática a nível de diversos estados e cidades e a promessa dos Democratas, com nova maioria na Câmara dos Representantes, em impulsionar a política climática são sinais positivos.

A União Europeia - única entidade supranacional avaliada -, que representa 9% das emissões globais de GEE, subiu para o 16º lugar graças à ambição crescente da sua política climática, importante quer a nível dos Estados-Membros, quer a nível internacional, especialmente face à retirada dos EUA.

O CCPI é um índice desenvolvido pela Germanwatch, pelo NewClimate Institute e pela CAN, classifica 56 países e a UE, responsáveis por cerca de 90% das emissões globais de GEE. As quatro categorias examinadas são: emissões de GEE (40%), energias renováveis (20%), uso de energia (20%) e política climática (20%), sendo este último baseado em avaliações de especialistas por ONGs e grupos de reflexão dos respetivos países. O CCPI também avalia em que medida os respetivos países estão a tomar as medidas adequadas no âmbito das categorias de emissão, energias renováveis e uso de energia em direção ao objetivo global de Paris, de limitar o aquecimento global muito abaixo dos 2ºC.